18.12.08

japão

Meus olhos ardiam, como se pedras de gelo substituíssem minhas retinas. O vento era um fio gelado e preciso, podia cortar minha garganta e eu não me surpreenderia. Meus passos soavam ocos no chão seco e frio. Meus pés não me levam mais para os lugares que eu quero ir, mas essa noite tudo o que eu quero é sair. As paredes pareciam se fechar em uma lentidão claustrofóbica, e meus pensamentos vagando, pensando em todos os fatos que ocorreram nos últimos minutos. É uma merda as coisas mudarem desse jeito, finais de ano são turbulentos pra mim, não é uma tradição agradável. Continuei a me afastar de casa, já podia ver as luzes cansativas dos postes da rua principal. A última palavra que eu pronunciei essa noite devia estar carregada de raiva, mas não estava, a última palavra que eu pronunciei essa noite estava carregada de tristeza, e sem o meu consentimento. Ele vai para o Japão depois do natal. E tudo o que eu disse foi Não. Ele pretende me contar? Por que um país tão longe? Ele pretende me contar? Isso não vai mudar nada. Sei que depois dessa noite, a certeza que em breve eu vou ter um buraco no meio do peito não vai desaparecer. Meus olhos ardem com as luzes fortes e psicodélicas, já estou longe de casa, minha mente já vaga em lugares que eu não vou lembrar amanhã. Mas meus olhos ainda ardem, e eu não quero sair e sentir o vento frio, por que eu sei que ele ainda vai estar lá.

PS. Desculpa o post confuso.
m.

10 comentários:

R. disse...

Não (tão) confuso, Matheus. É ruim perder, especialmente pessoas. Pior arrepender. Mas passa. Graças ao conhaque passa.

Um abraço.

Qnto ao seu comment: Marx tinha razão, cara. Marx tinha razão :P

Camila Iara. disse...

Coisas confusas tendem a me inspirar de uma maneira surreal. Você escreve muito bem, fico contente por ter me encontrado (:

Felicitações.

Insolente disse...

cada dia mais real...e mesmo que não faça sentido, parece tão simples e tão. tão.

Brancatelli disse...

Cara... um amigo meu também vai pro Japão no começo de janeiro.
Provavelmente vai passar um ano fora.
E o que passa pela minha cabeça é que eu só tenho meio mês pra aproveitar com alguém que fez parte da minha vida nos últimos 4 anos!!

Cada amizade que a gente perde, mesmo que temporariamente, é exatamente isso...
Um buraco no peito.

O importante é fazer o tempo que resta valer a pena.

Renatinha disse...

Mas é na confusão que normalmente nos achamos.
Por que as pessoas ais importantesacabam indo embora? Eu gostaria de saber...

Ane Talita disse...

Tava com saudades dos seus posts "confusos"

beijo!

Thiago disse...

desculpa é o caralho matheuss! vc nao ped epr aninguém ler, então foa-se se o post ta confuso ou nçao, leem pq querem!

e eu gostei do post!
bom natal! :D

Luiz Eduardo C. A. disse...

cara gostei muito do texto, muito bom!

muuuuito bom mesmo!

Bruna Rasmussen disse...

Os buracos na gente vão tomando conta, até que a gente desaparece. E nem mesmo os fios de vento para cortar toda a dor que consome os ossos, a carne, o todo. A confusão é a única coisa que podemos aceitar, não se desculpe.

Abraços

Guilherme Freitas" disse...

finais de anos são sempre bem relativos, normalmente cheios de perdas, mas também cheios de esperanças.

obg pela visita no blog =D