Meus olhos ardiam, como se pedras de gelo substituíssem minhas retinas. O vento era um fio gelado e preciso, podia cortar minha garganta e eu não me surpreenderia. Meus passos soavam ocos no chão seco e frio. Meus pés não me levam mais para os lugares que eu quero ir, mas essa noite tudo o que eu quero é sair. As paredes pareciam se fechar em uma lentidão claustrofóbica, e meus pensamentos vagando, pensando em todos os fatos que ocorreram nos últimos minutos. É uma merda as coisas mudarem desse jeito, finais de ano são turbulentos pra mim, não é uma tradição agradável. Continuei a me afastar de casa, já podia ver as luzes cansativas dos postes da rua principal. A última palavra que eu pronunciei essa noite devia estar carregada de raiva, mas não estava, a última palavra que eu pronunciei essa noite estava carregada de tristeza, e sem o meu consentimento. Ele vai para o Japão depois do natal. E tudo o que eu disse foi Não. Ele pretende me contar? Por que um país tão longe? Ele pretende me contar? Isso não vai mudar nada. Sei que depois dessa noite, a certeza que em breve eu vou ter um buraco no meio do peito não vai desaparecer. Meus olhos ardem com as luzes fortes e psicodélicas, já estou longe de casa, minha mente já vaga em lugares que eu não vou lembrar amanhã. Mas meus olhos ainda ardem, e eu não quero sair e sentir o vento frio, por que eu sei que ele ainda vai estar lá.
PS. Desculpa o post confuso.
PS. Desculpa o post confuso.
m.


10 comentários:
Não (tão) confuso, Matheus. É ruim perder, especialmente pessoas. Pior arrepender. Mas passa. Graças ao conhaque passa.
Um abraço.
Qnto ao seu comment: Marx tinha razão, cara. Marx tinha razão :P
Coisas confusas tendem a me inspirar de uma maneira surreal. Você escreve muito bem, fico contente por ter me encontrado (:
Felicitações.
cada dia mais real...e mesmo que não faça sentido, parece tão simples e tão. tão.
Cara... um amigo meu também vai pro Japão no começo de janeiro.
Provavelmente vai passar um ano fora.
E o que passa pela minha cabeça é que eu só tenho meio mês pra aproveitar com alguém que fez parte da minha vida nos últimos 4 anos!!
Cada amizade que a gente perde, mesmo que temporariamente, é exatamente isso...
Um buraco no peito.
O importante é fazer o tempo que resta valer a pena.
Mas é na confusão que normalmente nos achamos.
Por que as pessoas ais importantesacabam indo embora? Eu gostaria de saber...
Tava com saudades dos seus posts "confusos"
beijo!
desculpa é o caralho matheuss! vc nao ped epr aninguém ler, então foa-se se o post ta confuso ou nçao, leem pq querem!
e eu gostei do post!
bom natal! :D
cara gostei muito do texto, muito bom!
muuuuito bom mesmo!
Os buracos na gente vão tomando conta, até que a gente desaparece. E nem mesmo os fios de vento para cortar toda a dor que consome os ossos, a carne, o todo. A confusão é a única coisa que podemos aceitar, não se desculpe.
Abraços
finais de anos são sempre bem relativos, normalmente cheios de perdas, mas também cheios de esperanças.
obg pela visita no blog =D
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