O gelo derrete na ponta da língua, logo o gosto vai sumir. Sempre some. Brindei à saúde, mas à saúde de quem exatamente eu não sei. Não à minha provavelmente. A blusa de lã azul vai evaporar e esses raios coloridos desenhados na parede também. Logo tudo vai sumir como sempre some, sob as nossas peles. O corpo formiga dentro das nossas roupas, somos quentes e frios, e sabemos como nos esconder. O que nem sempre é bom. Minha intensidade nem sempre é real, de vez em quando me forço a sorrir, a falar. Minha boca tá suja, acho que eu perdi os óculos, acho que eu preciso daquelas pílulas de novo. Cansei de me auto-medicar, mas eu sei que ninguém me receitaria o que eu quero. Eu te quero, tanto quanto eu quero sair daqui. Me livrar desse gosto na boca. No chão eu vejo meus óculos do lado de uma garota caída com um cigarro na mão esquerda. Eu parei de prestar atenção. Eu fico cada vez mais longe, o gelo continua na boca, mas eu não sei mais se vou sentir se ele derreteu. Não lembro de sair, mas sei que já estou do lado de fora. A rua vazia, a mente vazia. O gelo, o de sempre.
m.


7 comentários:
Não, cara, aquele tipo de "amor" não é dos melhores...
Gostei daqui... Gostei mesmo. Não só o blog, mas os textos e o teu jeito de fazê-los são meio psicodélicos.
E eu adoro psicodelia.
Sabemos como nos esconder... o problema é que as vezes nos escondemos até de nós mesmos. Deixa o gelo deerreter! ;)
beeesos
www.cmonkid.blogspot.com
O gelo, o de sempre...
tbm preciso sair...tá sobrando algo em mim...
;)
Eu queria que me receitassem uma coisa, mas sei que também não vou fazer isso por mim.
Saudade enorme do meu grande amigo Rivotril.
é o dom né..
gostei :)
muito bom o que voce escreve abracos
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