Virei as costas para tudo que me parecia não ter significado. Me esperava na banca de revistas com um folheto na manga e o coração debaixo do braço, comprou um maço de cigarros e meio palito de fósforo que não acendeu e me pediu algum isqueiro. Ofereci o azul. Saímos quase sorrindo, e eu me perguntado o que fazer. Um parque de diversões decadente se erguia minutos depois e das árvores em volta dos nossos cabelos caíam as folhas leves, secas, como de um outono que nunca existiu. A roda gigante tocou o céu àquela noite. Eu toquei o céu. Tocamos todos. A estranheza dos braços se acalmou com o álcool e a nossa imagem fez questão de criar novos pecados nas mentes alheias enquanto passávamos, olhos nos olhos, pensamento na lua. Em breve nossas inicias já estavam espalhadas em pontos da cidade semidestruída. Gosto de pensar que com tudo isso me desviei de problemas, com alguém do seu lado, é sempre mais fácil cumprir as missões que aparecem escritas no subsolo da consciência, como num videogame. Sua fumaça me entrava como ar de verão, como solos de guitarra das suas músicas favoritas. Me tornei tão tolo, quase desfiz em pedaços se não fossem seus olhos. Aquilo não era uma despedida. Ao contrário. Não era final de semana. Ao contrário. Foi um começo de linhas tortas e céu escuro.
m.
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